Presidente da Capes apresentou o novo diretor efetivo de Avaliação Nacional da Pós-Graduação da agência, Sergio Avellar, funcionário de carreira da instituição
Após um 2021 tumultuado, a avaliação quadrienal da pós-graduação (PD) deve ser concluída no prazo, em dezembro de 2022, garantiu Sergio Avellar, novo diretor efetivo de Avaliação Nacional da Pós-Graduação da agência de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Funcionário de carreira da agência, Avellar fez ontem um balanço da avaliação de 4.516 programas, garantindo que a portaria que estabeleceu o calendário de avaliação ainda em 15 de dezembro de 2021, está sendo seguida à risca. “Estamos dentro do nosso cronograma, sempre superando dificuldades, desafios, intercorrências, com muito diálogo, com muita interação”, afirmou.
Ele foi anunciado como novo diretor pela própria presidente da Capes, Cláudia Mansani Queda de Toledo, durante o painel “A Avaliação da Pós-Graduação”, realizado na tarde de terça-feira (26/7), na programação do segundo dia da 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
Coordenado pela professora emérita da Universidade de Brasília (UnB), Fernanda Antônia da Fonseca Sobral, vice-presidente da SBPC, o evento foi realizado na modalidade virtual. Além de Claudia Toledo e Sergio Avellar, contou com a participação de Anderson Stevens Leônidas Gomes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Antônio Carlos de Souza Lima, do Museu Nacional; Carlos Frederico Martins Menck, da Universidade de São Paulo (USP) e Vinícius Soares, recém-eleito presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) em substituição a Flavia Calé que esteve à frente da entidade nos dois últimos mandatos, de 2018 a 2022.
Em 2021, o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) sofreu uma inédita intervenção determinada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, acatando, de forma liminar, uma ação do Ministério Público determinando a suspensão das atividades de avaliação da Capes. A ação alcançou o SNPG em um momento decisivo da Avaliação Quadrienal que estava em curso, atrasando todo o processo.
Na análise da pós-graduação em si, Carlos Menck destacou que, apesar da concentração nas regiões Sul e Sudeste, houve uma expansão para outras regiões do pais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), tanto em número de alunos quanto em qualidade dos programas. “Por exemplo, o Pará tinha um programa (classificação Capes) 6 ou 7 em 2007, em 2017 já tinha quatro”. Para ele, esse crescimento regional da PG é importante para levar a ciência e tecnologia a todo país.
Antônio Carlos de Souza Lima destacou a relevância do acompanhamento sistemático dos egressos dos programas, que passou a ser feito a partir do atual processo de avaliação da Capes, do qual ele fez parte. “Não posso dar dados, mas posso dizer que foi imensamente satisfatório ver que programas às vezes que estão com notas baixas, porque são ou iniciantes ou por alguma razão, não contaram muitos aportes para um melhor crescimento, apresentam uma taxa de empregabilidade no plano local e regional altíssima”.
Vinícius Soares que vai conduzir a ANPG no período 2022-2024, opinou que o trabalho de avaliação da PG tem que levar em consideração daqui para frente os impactos da pandemia de covid-19. “Nesse último período a gente acabou tendo muita instabilidade no processo de avaliação da quadrienal 2017-2021 também por causa da pandemia”. Para ele, é necessário ainda medir os impactos do que ele chamou de “interferências externas”, ou seja, a ação judicial que paralisou os trabalhos. “A quem serve a paralisação do nosso sistema de avaliação? ” questionou. Soares disse que era importante também olhar para o futuro, apontando os caminhos que a PG brasileira precisa tomar para responder aos desafios nacionais.
Para Anderson Stevens Leônidas Gomes (UFPE), olhar para o futuro é importante, mas propôs também olhar “pelo retrovisor” para constatar o quanto já se avançou. Ele sugeriu uma revisita ao relatório encomendado pela Capes em 2015/2016 que nunca foi divulgado. “Desse documento a gente tem uma definição clara do objetivo da pós-graduação: formar mestres e doutores capazes de enfrentar novos desafios científicos com independência intelectual”, comentou.
Em um sumário das apresentações, Fernanda Sobral destacou, entre as questões levantadas, a queda do valor das bolsas de estudos, a redução da proporção de bolsistas em relação aos alunos e os impactos da pandemia. Segundo ela, a pandemia teve efeitos positivos e negativos. “Pode ter tido impacto positivo, de aprender a usar mais as tecnologias da informação, mas teve impacto na saúde das pessoas, na saúde mental dos pesquisadores”. Sobral acrescentou que, em sua visão, a próxima avaliação da PG deve considerar também a questão das políticas afirmativas.
Assista ao painel “Avaliação da Pós-Graduação” na íntegra, pelo canal da SBPC no Youtube.
Jornal da Ciência