7. A rotina dos vizinhos das barragens à espera de uma próxima tragédia - Jornal da Ciência
JC Notícia
Copiar URL

7. A rotina dos vizinhos das barragens à espera de uma próxima tragédia

Brasil tem 839 estruturas como as de Mariana e Brumadinho e algumas são consideradas de “alto risco”. Governo federal anuncia que criará grupo de trabalho para elaborar revisão da política de segurança

Quando a lama de rejeitos da Mina do Feijão invadiu a área rural de Brumadinho, na última sexta-feira, o terror do desastre de Mariana voltou a assombrar o cotidiano de milhares de pessoas. Vizinhas de uma das 839 barragens de minério do país, elas temem que, a qualquer momento, uma nova tragédia possa invadir também os seus quintais. E destruir ecossistemas únicos no mundo — em Corumbá, conhecida como a capital do Pantanal, há 16 barragens, uma delas classificada como em situação de “de alto risco” pelo Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (Imasul). Nesta terça-feira, mesmo dia em que foram presas cinco pessoas, entre funcionários da Vale responsáveis pelo licenciamento da Mina do Feijão e engenheiros terceirizados que atestaram a estabilidade da barragem, o Governo federal publicou no Diário Oficial da União a criação de um grupo de trabalho que elaborará uma proposta de revisão da política nacional de segurança de barragens.

Daiana Moreira deixou de visitar a família, em Congonhas (MG). Seus entes queridos moram perto das três barragens do Dique do Engenho, que contêm rejeitos de minério de ferro e pertencem à Companhia Siderúrgica Nacional. “Eu vivo afastada da área de risco, mas meus parentes moram bem abaixo da estrutura e eu tenho medo de ir até lá e que aconteça um rompimento a qualquer momento. Desde o desastre de Mariana, toda a cidade vive em pânico”, conta a auxiliar administrativa, de 30 anos. O Dique do Engenho faz parte de uma lista de 22 barragens sem garantia de estabilidade, de acordo com informações da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). A empresa diz que a barragem é estável e diz que fez treinamento com moradores.

Leia na íntegra: El País Brasil